quinta-feira, 11 de março de 2010

Vida...

Vida...

Domingo, 5 de julho de 2009...

Após xeretar em meu telefone, que estava guardado dentro da minha pasta, argumentando de que ele tocou e que, àquela hora, só poderia ser uma emergência ou morte (logo depois que conversei com o Pedro que estava acordado e eu tomando café e lendo jornal, entre 5h30min até às 6h15min), resolveu atendê-lo...Disse-me, quando acordei, se eu não ligaria para a minha namorada... E começou a me agredir e a tentar colher informações...Vi depois, que havia uma mensagem de voz dizendo; “Boa tarde, amor. Estou saindo da Mariana e indo para casa... Me liga, beijo.”.

Pronto, como sempre, está organizado um motivo para agressão, sem consideração...
Era mais um domingo, entre tantos que foram na minha vida que ela arrumava alguma coisa para me desarticular, para me encher o saco (isso que nunca dei motivos para outras mulheres)... E foi o que disse para ela... Não enche meu saco. Tomei banho, peguei as minhas coisas (e minhas coisas são só as de trabalho que é o que sempre passei a vida inteira fazendo) e vim para o escritório (único local fora a minha casa que tenho para me esconder)...
Após o meio dia ainda recebi uma ligação dela perguntando desaforadamente “se eu já havia ligado para a minha namorada...”.

É preciso refletir (pela centésima vez) sobre esta relação...

Passou uma vida inteira incomodando. Evidenciando sempre uma série de insatisfações. Nada estava bom. O que se tinha era sempre insuficiente. Das emoções às coisas materiais. Sempre cobrando, exigindo, infeliz comigo.
As cobranças sempre eram centradas em mim...
Até no período de namoro havia uma obsessão no processo de maus tratos e desconsideração para comigo:

- Vou ver se gosto de ti... Tenho de escutar uma música (que lembrava seu outro namorado) e verei se gosto de ti ou não...
- o perfume que eu usava era horroroso, sentia asco, me desrespeitando...
- o almoço numa lancheria era uma droga, sujo, etc., saindo porta fora, não respeitando que era o que eu podia dar..
- nunca valorizou meus esforços para ela estudar, desde de bolsa até os deslocamentos. Não valorizou a ajuda financeira, já na época de namoro, generosamente sempre dei para os seus pais... As necessidades passaram a ser minha obrigação, minha responsabilidade, até em detrimento aos meus pais, que também eram necessitados...Assim, criou-se o hábito (que perpetuou-se até o presente) de que eu tinha de resolver e pagar pelos problemas de toda a família (Paulo, Joana, Camila, João Carlos, quando não caia algum parente mais)...
- Para noivar, eu tinha de dar a festa e providenciar na reforma da casa dos seus pais...Só se aquietava quando os problemas da sua família fossem resolvidos, sem se importar com minhas condições.
- Não aceitava que eu tivesse a mínima liberdade, não aceitando sequer as minhas amizades e rotinas, o distanciamento dos amigos era uma exigência... processo possessivo e castrante que arrependo-me ter aceitado.

E foi uma vida de namoro turbulenta, cheia de crises e discussões, em sua maioria gerada por uma forma irracional e egoísta de ver a vida e sem um mínimo de respeito pela minha identidade como pessoa.
Pena que me submeti a tudo isso...

Demoramos a casar porque uma das exigências era morar em imóvel próprio e o adquirido era um apartamento pequeno (certamente deve ter sido terrível ter de se submeter a isso)...
Quando casamos, além da festa paga por mim, ainda tive de ouvir da sua irmã o comentário de que “finalmente havia conseguido o que queria...”. Nossa noite de núpcias, quando fomos de carona (havia entregado meu carro por não conseguir pagar as prestações, mas essa é outra história) até o nosso apartamento... Na hora do enfim a sós, ela me evitou...Estava com raiva, de mal com a vida... Neste momento deveria ter visto que as coisas não dariam certas...
E começamos a vida de casados... Cheia de carências e de reclamações...
Um dia, ao chegar em casa para almoçar, ela me disse “que não havia casado para ficar cozinhando para mim”....Era um eterno processo de ranço, de cobrança e reclamações...
A vida tinha de girar em torno da família dela. Para tudo. Qualquer saída, passeio, viagem. Nunca foram despesas do casal... Tudo era em dobro ou triplo, porque ninguém nunca contribuiu com nada. E as emoções? Certamente estavam sempre juntos e felizes... E minha identidade e meus valores?
E os problemas da família (e como tinham), deveriam sempre ser resolvido a toda hora... Uma verdadeira usura e exploração, sempre intermediados por ela (desfalque da Camila, aborto da Camila, déficits orçamentários da família, etc.). Este comportamento perdurou até os dias de hoje... Confundiram minha generosidade e ela nunca valorizou que tudo o que fiz, foi por ela...

Ela sempre se achou e se comportou como uma mulher independente... Ia aonde queria no tempo que queria, ser dar qualquer satisfação... Aonde andava e com quem andava não era para ser discutido. No entanto, se eu fosse na esquina, ela tinha de ir junto ou saber... O que vale para ela não vale para mim, até hoje ela é assim... Onde anda, o que faz ou com quem faz, nunca é problema...Nunca sai atrás dela perguntando... Ela sempre agiu ao contrário. Marcação cerrada.
Estudou na UNISC com liberdade total... Viajou com amigas, foi até para o Uruguai... Trabalhou em outra cidade e estava tudo sempre bem...Estudou na UNISINOS, dava carona a amigo e estava tudo sempre bem...Ainda no tempo em que trabalhou na APAE (emprego que eu consegui com o Augusto), sumia dias inteiros, fins de semana, não interessava a hora (e eu ficava com o Pedro pequeno), e estava tudo sempre bem, sempre dona de si... E comigo, marcação total, conseguindo eliminar todas as minhas relações de amizades ou rotinas que não fosse a do trabalho (e sobre trabalho tive que discutir muito sobre as minhas necessidades profissionais, pois vivia reclamando que eu trabalhava muito...).
Com o advento do celular esta fiscalização de parte dela sempre foi total (e eu não ligava para ela quando saia tardes inteiras...). É um processo de confiança ou de possessão?
Sempre pautei a nossa vida, falando da importância da “nossa” família (eu, ela e o Pedro) e, não, da família dela... Sempre reforcei que tínhamos de ter a nossa identidade, nossa independência e intimidade... Mas, não. Isso era afrontoso para ela.... Desde as coisas mais simples como escolher o nome do filho (se não brigo a D. Joana era ela quem daria o nome, ou escolheria o time, sobre o batismo ou como deveria ser educado, etc.). Sempre foi uma possessão. Sobre intimidade, vivíamos constrangidos com a presença plena e constante da família dela... Até sexo se negava a fazer porque os pais estavam na casa. Passamos dezenas de férias sem trocar uma carícia em 30 dias...
Sobre sexo, era outra situação que me desarticulava. Foram centenas de vezes que me afastava (e começou já na noite de núpcias, se pode se chamar de núpcias), por variados motivos (sem vontade, dor de cabeça, dor nas costas, de mal com o mundo e por aí vai). Para mim sempre foi um processo de rejeição...
Nos últimos anos, chegamos a passar mais de ano sem aproximação. Muito discuti dizendo que ela casou com o homem errado. Que eu era um homem abaixo das expectativas dela... Não possibilitando a conquistas das coisas materiais, sexuais e, sei lá o que, que fosse desejado e sempre reclamado por ela...
E assim foi a nossa vida... Sempre ruim, sempre reclamando de tudo, sempre de mal com o mundo.
A única coisa boa que fizemos, foi o Pedro e, coitado, criou-se em meio as nossas discussões, sem entender de que ele não tem culpa de nada. Ele certamente é a dádiva da nossa vida.
O Pedro é a nossa única afirmação e afinidade. Sei que ela é a melhor mãe do mundo e sou o melhor pai e ele o melhor filho.
A questão toda é que não sou o melhor marido do mundo... É só reclamação, infelicidade, insatisfação. É ranço por qualquer coisa.
Se ela estava trabalhando, estava ruim... Se ela estava em casa, estava ruim... Se ela estava Capão estava ruim, se estava em Angra era ruim porque as férias eram curtas (imagine, 30 dias). Depois que compramos a casa, era ruim ficar sozinha (eu tinha de trabalhar).
E, férias... Eu sempre tive que patrocinar tudo para o monte de gente da família... A casa vivia lotada e todos bebendo e comendo e eu trabalhando... Fazia por ela e ela nunca valorizou... Como poderiam ser férias felizes sem todos da sua família à volta? E nunca houve espaço para os da minha família, ou amigos, ou até para ficarmos sozinhos... Era possessão total, de forma a constranger e afastar a outras pessoas...

Passei uma vida toda trabalhando muito, para dar uma melhor condição de vida para a “minha” família... Ela sempre reclamando de tudo e, invariavelmente, intercedendo sobre as necessidades materiais dos familiares e, paralelamente, reclamando das nossas conquistas materiais (o carro era ruim, a casa, o fogão, a vida, etc.).

Após a morte do seu Paulo e da D. Joana, as coisas continuaram com o João Carlos e com a Camila e, estes dois, sempre tive de engolir, pois são os reis da usura e da exploração. Dei e ajudei no que não tinha, tirando de nós ou no mínimo das nossas reservas, sem reconhecimento da minha generosidade (ou é obrigação?). Nunca houve uma palavra de carinho, de agradecimento.
E sou tranqüilo, pois nunca deixei, por respeito a ela, de conviver com eles (qualquer outro já tinha quebrado os pratos neste sentido).

Em todos os seus negócios e projetos eu me envolvi por inteiro, dando apoio. Dinheiro, força e envolvimento... Em todos eles, continuou sempre reclamando e insatisfeita. Antes criava negócios para ajudar os outros. Ora a Camila, ora o João Carlos. Ajudei e incentivei para fazer um pós-graduação em Administração Escolar... Nada, continuou insatisfeita. Cursos, qualquer coisa eu lá estava incentivando e ajudando. Atualmente, na loja do shopping, também não está bem... Trabalha demais, acorda cedo, está cansada, uma verdadeira vítima (além disso, trás os problemas que ela mesma cria, Leandro, Maria Anita, Camila, Bernadade, etc.).
Meu Deus... Haja orelha para passar ouvindo uma vida inteira de insatisfações, de infelicidade.

É belicosa, beligerante... Está sempre criando um antagonismo em relação a mim e as pessoas. Neste caso, nunca fala as coisas exatamente como elas são. Sempre tem uma manobra nas narrativas para encaminhar de acordo com os seus interesses. A verdade sempre será a que lhe interessa e não a plena verdade.

Nas nossas últimas discussões ainda fiz um apelo... “Me deixa em paz... Só me dá condição de criar o meu filho em paz...” Só quero produzir e trabalhar (o que fiz a vida toda) para que ele tenha um futuro melhor e com mais condições do que o meu. Preciso ter a cabeça tranqüila para ter saúde... Chega de stress, de ranço, de reclamações e atos de infelicidade...

Disse-me que já pediu desculpas, que não fez por querer... Mas continua fazendo e fazendo.

Passei a vida me esforçando, me superando, ajudando no processo...

Trabalho como um cão desgraçado desde os 13 anos. Esgoto-me, sendo exigido ao extremo para manter a minha carreira e empresa (mais ainda agora que as coisas não estão boas no escritório). Chego em casa, faço comida, limpo a casa, faço faxina, sou sempre prestativo, etc. Não precisava disso (já brigamos quando pedi para que contrate uma faxineira, pois não tem nexo eu trabalhar como trabalho e ainda ficar cuidando da casa que vira uma verdadeira imundície).
Trabalhei o sábado inteiro em casa, sem queixas, como sempre fiz na nossa vida.

Ai vem o domingo e ela vem me falar em namorada... Na sua velha forma prepotente, cheia de soberba, dominadora, se achando...
Tudo porque invadiu a minha privacidade... Pegou meu celular dentro da minha pasta, bisbilhotou... Para sua sorte, achou a mensagem de sei lá quem que dizia “boa tarde amor, estou saindo da Mariana e indo para casa...”.

É absurdo...Este é o trato e a consideração que ela tem por mim. Não é capaz sequer de avaliar que só pode ter sido um engano? Não, tem de haver guerra, tem de ter argumento para baixar o nível (certamente deve estar furiosa, pois não aceitei sua oferta de ir ao jogo do domingo comigo... Nunca fez isso na vida... Nunca me apoiou numa rara coisa que gosto, futebol).
Não tem consideração por mim e pela minha história.
Vem falar em namorada... Isso que a maneira que sempre me tratou e me menosprezou era para eu ter um monte delas...

Pelo contrário, não curto amigos, não vou a festas, não saio para tomar chope, brincar, etc. É só trabalhar. É sempre do trabalho para casa...

Terminou. Tenho 55 anos, depois da minha cirurgia, estou na sobrevida e sempre me incomodando... Estou no ocaso da vida, com uma perspectiva de morrer trabalhando, sem felicidade, me incomodando todos os finais de semana (quando não durante a semana) com a minha infeliz parceira...

Chega, certamente, seremos bem mais felizes separados...
Continuaremos amigos e parceiros, com certeza. Podendo contar comigo para tudo.

Chega... Transbordou.

Um comentário:

  1. Agora, depois de 10 anos, reli o texto deixado pelo meu amigo e vi ou me dei conta ou já tinha visto e esquecido, que ele morreu um mês depois de ter escrito este texto. Que coisa.

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